segunda-feira, 11 de julho de 2011

Berinjela, Maisena e Ortografia

Será que a grafia correta de berinjela é com j (como escrevi) ou é com g? A pergunta soa vazia, não é mesmo? Se fosse com g, eu não teria escrito com j... Mas o fato é que me fizeram essa perguntinha poucos dias atrás, e ela me fez refletir sobre a questão da dificuldade ortográfica que muitos sentem.

Para começar o assunto, é bom lembrarmos que as regras ortográficas são arbitrárias, isto é, foram estabelecidas em um dado momento, geralmente quando se sentiu que se deveria padronizar a escrita. Vale ressaltar, porque estamos nessa trilha, que nem sempre houve uma grafia padrão para o Português, e isto também vale para a imensa maioria dos idiomas.

O fato é que, pela necessidade de uniformização da escrita (que não cabe neste espaço trazer os detalhes), estabeleceram-se as normas ortográficas, que, via de regra, sofrem mudanças (também arbitrárias) de vez em quando. Há não muito tempo, maisena era frequentemente grafada como está na caixa do produto que leva esse nome: maizena. Modernamente, só se aceita grafá-la com s.

Acho que muitos têm dificuldade ao escrever certas palavras porque só as usam na fala. Quando se deparam com a necessidade de escrevê-las, acabam em dilema: é sessenta ou é sescenta? Logicamente é sessenta! Escreve-se seiscentos ou seissentos? Neste caso é seiscentos o correto.

Para finalizar esta breve reflexão, e a título de curiosidade, a palavra berinjela é de origem persa (badnjan) e entrou no vernáculo pelo árabe (badinjanâ). Já a palavra maisena vem da forma do taíno maís (tipo de milho graúdo) e entrou no Português pelo espanhol maíz. Perceberam por que se grafou com z por muito tempo?


quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Que É Clivagem?

Clivar está associado a dividir. O substantivo correspondente a esse verbo, clivagem, tem uso em diversos ramos do conhecimento humano. Em psicologia, clivagem é uma espécie de cisão na organização psicológica do ser em nível de ego, em geral como mecanismo de defesa.  Em mineralogia, refere-se à fragmentação dos  mineirais; em biologia, remete à divisão celular dos embriões; nas ciências sociais, diz-se que clivagem é a separação que ocorre entre grupos sociais por razões diversas.

Em Linguística, clivagem é um recurso de realce: a clivagem coloca em destaque um elemento da frase. Para entender melhor, considere como forma básica:"Quero dormir". A correspondente clivada dela é "É dormir que eu quero". Outro exemplo: "Maria fez a torta". Clivada, fica: "Foi Maria que fez a torta".

Tecnicamente, a clivagem é o encaixamento de uma estrutura relativa em uma dada frase pelo uso do verbo ser mais a palavra que ou quem, de tal forma que o sintagma nominal da frase relativizada é retirado ou extraído, mais tecnicamente dizendo. A clivagem é, obviamente, um recurso importante na sintaxe do português moderno, e seu estudo tem contribuído muito para a elucidação das relações de correspondência ou de afinidade sintática de que se ocupa a Gramática Descritiva.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Que É Verbo Impessoal?

É comum que se definam os verbos impessoais como aqueles que não têm sujeito. Acho que você já encontrou essa definição em algum livro ou material didático. Embora essa explicação não seja de todo precisa e criteriosa, ela dá conta de esclarecer que os verbos que são núcleos de uma oração sem sujeito são classificados de impessoais, pois  não concordam com nenhuma palavra. Por isso, eles são usados na terceira pessoa do singular.

Exemplos de verbos impessoais:

 1- Haver (no sentido de existir) - Há carros na garagem. / Havia flores no vaso.

2- Fazer (indicando tempo pretérito) - Faz anos que ele se mudou para Roma.

3- Verbos que expressam fenômenos (chover, nevar, gear, chover, relampejar, trovejar, ventar).

Choveu muito ontem.
 Nevará amanhã, segundo a previsão do tempo.
 Geou no Rio Grande do Sul no fim de semana.
 Venta muito nas regiões altas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Que é Logorreia?

Sempre uso a palavra logorreia porque ela desperta curiosidade e, não raramente, risos. Talvez por algum tipo de analogia, quem sabe... Mas não são muitos os que têm a iniciativa (ou a coragem) de perguntar explicitamente o significado dessa palavra.

Etimologicamente, logorreia vem do grego, em que lógos significa palavra e rhoía significa fluxo: daí logorreia, um verdadeiro derramamento verbal, uma incontinência de palavras, sem nenhuma cerimônia. Quem tem logorreia, em geral, não respeita a noção de lógica na apresentação do fluxo de ideias; nem mesmo se importa com a pertinência delas para a situação comunicativa em que está.

A logorreia pode ocorrer tanto na fala quanto na escrita, e é um fator de humor nas ocasiões em que dá o ar da graça... O texto logorreico é confuso e frequentemente cansativo por causa do acúmulo de informações.

Contra ela, o remédio é a máxima árcade: inutilia truncat (corte tudo o que é inútil, seja na fala, seja no texto escrito).

Veja também: "Prolixidade"




segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Polícia da Língua" - 3

Em um Shopping Center muito famoso, certa loja de grife renomada exibia, há algum tempo, o cartaz que reproduzi ao lado. Veja como falta um acento: segundo a regra de acentuação, todas as paroxítonas terminadas em i ou is devem receber acento. Assim, táxi, táxis, lápis e biquíni(s) são palavras que não dispensam o acento na penúltima sílaba. Vale a pena saber de memória as regras de acentuação!


Veja também: "Polícia da Língua" - 2