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quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Que É Clivagem?

Clivar está associado a dividir. O substantivo correspondente a esse verbo, clivagem, tem uso em diversos ramos do conhecimento humano. Em psicologia, clivagem é uma espécie de cisão na organização psicológica do ser em nível de ego, em geral como mecanismo de defesa.  Em mineralogia, refere-se à fragmentação dos  mineirais; em biologia, remete à divisão celular dos embriões; nas ciências sociais, diz-se que clivagem é a separação que ocorre entre grupos sociais por razões diversas.

Em Linguística, clivagem é um recurso de realce: a clivagem coloca em destaque um elemento da frase. Para entender melhor, considere como forma básica:"Quero dormir". A correspondente clivada dela é "É dormir que eu quero". Outro exemplo: "Maria fez a torta". Clivada, fica: "Foi Maria que fez a torta".

Tecnicamente, a clivagem é o encaixamento de uma estrutura relativa em uma dada frase pelo uso do verbo ser mais a palavra que ou quem, de tal forma que o sintagma nominal da frase relativizada é retirado ou extraído, mais tecnicamente dizendo. A clivagem é, obviamente, um recurso importante na sintaxe do português moderno, e seu estudo tem contribuído muito para a elucidação das relações de correspondência ou de afinidade sintática de que se ocupa a Gramática Descritiva.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Que é Gramática Tradicional?

Chamamos de Gramática Tradicional do Português o conjunto de regras, de reflexões e de classificações a respeito dessa língua, especialmente produzido nos moldes gregos e latinos. Por isso, calca-se a priori na manifestação escrita da linguagem, tomando como referência os escritores de renome que, segundo se considera, são exemplos dignos de imitação para se usar bem o idioma.

A Gramática Tradicional é, portanto, de cunho prescritivo: receita modos de expressão e distingue o certo do errado.  Sua preocupação não está em descrever os usos possíveis da língua, mas em  preservar e indicar como corretos e aceitáveis os usos tradicionalmente eleitos como paradigmas.

Obviamente, a Gramática Tradicional tem sido empregada como normatização do uso da Língua Portuguesa em situações formais. É nessa modalidade que estão escritos os trabalhos científicos e quase que a totalidade do conhecimento acumulado pelas nações de fala portuguesa.

Dominar os preceitos da Gramática Tradicional é pré-requisito para que se consigam compreender as obras literárias, especialmente as produzidas até o século XIX e inícios do século XX, bem como os compêndios de leis e tratados da civilização. A cidadania tal qual a conhecemos só é possível plenamente àqueles que são capazes de se valer desse código tradicional, que dá acesso às regras que regem a sociedade e as relações nela vigentes.